quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

30 anos sem Elis!

Elis Regina, uma das nossas maiores cantoras, morreu no dia de hoje, no ano já longínquo de 1982. Eu era um rapaz recém-saído da adolescência e adorava aquela voz rasgada e poderosa da "Pimentinha" do Rio Grande do Sul. Para mim, depois dele próprio, era quem melhor interpretava as canções de Milton Nascimento. "Ponta de Areia", "Saudade dos aviões da Panair", "Nada será como antes" e tantas outras maravilhas que saíram daquela garganta para inebriar nossas almas e nossos corações. Elis, na verdade, nunca se foi. Até hoje, como disse Maria Rita, sua filha, "o lugar dela nunca esteve vago", porque pessoas especiais como Elis não passam, transformam-se. Como muita gente, no dia que soube da notícia, eu também fiquei chocado. Elis morreu de overdose? Como pode? Elis tomava drogas? Elis era uma mulher infeliz, depressiva, enloquecida? Como pode? Lembrei-me de Maysa, aquela maravilhosa e louca de "Meu mundo caiu". Ainda bem que a música não morre. Elis está ainda entre nós, com aquela voz que encanta e nos deixa perplexos: "Eu quero uma casa no campo..." Viva Tavito! Elis vive. Esqueçamos o dia de sua morte. Pensemos que sua voz a mantém absolutamente e maravilhosamente viva. Viva Elis!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Ano Novo, tragédias velhas!

Puxa, começamos um novo ano. 2012 chega com a mesma cara de 2011, levando chuvas torrenciais para diversas partes do Brasil, em especial, o Sudeste. Castigados terrivelmente no ano que passou, muitas cidades ainda vivem contando prejuízos do verão passado. As chuvas de verão deste ano, tão previsíveis, já chegaram e já deixaram suas marcas de destruição. Tudo se repete solenemente, restando apenas lamentar a inoperância e canalhice daqueles que deveriam cuidar para que tais tragédias não mais se repetissem. A corrupção, novamente, deu as caras. O dinheiro não chegou. A tragédia se repetiu. O Japão, em menos de ano, já recuperou 90% de tudo que foi destruído pelo terremoto e pela gigantesa tsunami. Será que algum dia aprenderemos com povos de terras distantes que, acima de tudo, veem nação como algo coletivo? Não sei. Não tenho esperança. Nossa índole é um caso sem solução. E lá vêm as chuvas. Ano novo, desastres velhos, antigos, previsíveis. Lamentável!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Love is in the air

It is funny how some things, no matter the place and the culture, are simply savored and perpetuated the very same way. Here's a couple from Macau, China, getting pictures taken for the wedding book. It may sound funny, but a lot of people are doing that all over the world. The idea is to go to the most famous places in the city and, all dressed up, pose for the camera. Naturally, they were not posing for me. I was an intruder who'd sneaked in and "stolen" some of those intercultural moments to bring home with me. Nice couple. They noticed I was also taking the shots, but didn't bother. For sure, they had more important things to do. They had to prepare the photo album that would mark their trajectory of love and a forthcoming life together. The place they chose is perfect: a replica of Venice, the Venetian mall, hotel, and casino. A little tacky for being a copy, but, I believe the feelings are sincere and original. So, for the couple who granted me with the nice shots in Macau, my wishes they have a wonderful marriage and live long. As we all know, wherever we go, love should be in the air. Yes, love here is in their air, in their smile, in their hearts. Love... is... in the air! Salut!

sábado, 8 de outubro de 2011

Hope Solo, solo hope is all we're left with!

For those who don't know, this is Hope Solo, the gorgeous American goalkeeper, maybe the world's best in her position. Naturally, we can see her fame is going beyond the four lines of the field. This is her in one of the pictures for ESPN Body, October 2011. From what I read, this is supposed to be ESPN's best issue ever, as they have gone out and "photographed a plethora of pretty athletes that will scintillate from every newsstand in the nation". I confess, during the semi-finals in June, I was angry with her because she was one of the responsible for our defeat. Marta did everything she could to beat the supergoalie, but in the end they were the winners, though in the final, Japan knocked them off. But Hope lived on, of course, and here she is showing us the best of the best. From afar, we can simply look, admire, hope. Hope, that's all we're left with. Hope!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Rest in peace, Mr. Jobs!

56 years old. There goes Steve Jobs, the brain behind Apple and contemporary technology. Short life indeed, but long enough to leave his mark forever. Any time we think of computers, gadgets, I-everything, he'll be around us. But Jobs has offered the world much more than nano equipment to connect people all over and help us understand it's possible to shrink the world and still be us. In the famous commencent speech at Stanford, in 2005, Jobs said: "Remembering that you are going to die is the best way I know to avoid the trap of thinking you have something to lose. You are already naked. There is no reason not to follow your heart." And he did, and we were all lucky. Despite being physically gone, geniuses like Jobs do not vanish as ordinary people do, in case we don't believe in reincarnation. We, naturally, lament his death, but there is more to come as what he probably sowed here might be a legacy of pure search for development and improvement in the area of communication. Jobs once said he loved Socrates. Maybe now these two guys are having a nice chat under an apple tree. Isaac Newton may join in later. Live on, Mr. Jobs. The world hears you! Live on!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A China é longe, mas existe!

Depois de quase dois dias de viagem entre voos e longas esperas em aeroportos, chegamos à China. Aterramos em Beijing, a capital nacional. Mesmo para alguém razoavelmente viajado, muita coisa aqui surpreende pela grandeza, magnitude, a começar pela quantidade de gente circulando. Meu Deus, nunca vi tanto chinês junto e de uma vez só! A gente ouve falar dessa coisa de país superpopuloso, de política de um filho só, etc., e até critica o governo por, de certa forma, estar metendo o bedelho na vida e na vontade do cidadão. Mas, rapaz, quando a gente se depara com aquele mundaréu de pessoas circulando apenas na cidade, a tendência é buscar entender tais práticas. Às vezes falta espaço até para respirar. Em especial no período do ano em que estive por lá, meados de agosto, final de verão, em que as férias escolares ainda não acabaram. Os turistas estrangeiros eram minoria. Na Cidade Proibida, por exemplo, a imensa maioria de visitantes era de chineses, gente simples das províncias do interior que trazia a Beijing seus filhos e parentes para terem contato com a história. Simplesmente impressionante. Definitivamente, a China não é ali. É bem longe, mas existe. Que privilégio ter ido lá. Que privilégio!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Viajar ou deslocar-se?

Em um dos seus livros mais recentes, E se Obama fosse africano? (2011), Mia Couto diz que "nos nossos dias, já não há viagem. Deslocamo-nos apenas. (...) A velocidade que possibilita a deslocação acabou matando a viagem" (p.174). Essa argumentação do escritor moçambicano me faz refletir a partir de uma constatação interessante, quando ele nos lembra que isso acontece simplesmente porque quando viajamos a [real] viagem "obriga-nos a sermos outros, a descentrarmo-nos, a deslocarmo-nos para fora de nós" (p.174). Não é uma visão romântica que, no mínimo, nos levaria àquela época em que viajar era uma epópeia em que,ao longo do caminho, íamos nos transformando pelo contato com os outros e suas terras, seus sorrisos, suas culturas. E desse contato, estenderíamos, mestiçaríamos o nosso "eu". Uma discussão profunda, diria. Este Mia Couto toca fundo na vida através da palavra. E tudo isso, para mim, é ensinamento. Estou a caminho da China, lugar em que jamais pisei. Muitas horas de voo, não sei se viagem ou de deslocamento. MInha cabeça vai girando e procuro não romantizar a experiência que me aguarda. Tenho certeza apenas que, mesmo às custas de algum choque cultural, serei alguém diferente no momento em que aportar por aquelas plagas. Aguardo boas experiências. Tomara que eu seja capaz de me "diluir", de "ser apropriado por outras almas" (Mia Couto, novamente). Tomara que eu possa ao menos entender um pouco aquele país, revisar meus estereótipos, ver tudo o que sempre quis com meus próprios olhos. Tomara que meu deslocamento transforme-se em "viagem". Tomara! China, aqui vou eu!