sábado, 14 de maio de 2011

Mendigando maternidades

De Mia Couto "roubo" novamente as palavras que provocam a reflexão. Fala ele desta mãe que, por não ser mãe de verdade, segue pela vida cuidando de arranjar "filhos" postiços para assim dar-se em devoção: "Vou sendo mãe avulsa, deste e daquele. Biscateio maternidades" (Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, Cia. das Letras, 2002, p.147). Ah, as mães! Quantas delas, legítimas, dedicadas, entregam-se aos seus filhos de corpo e alma, trazem no mais íntimo da alma a abnegação de dar a vida à vida, seguindo o ciclo maravilhoso de exercitar o mais belo dos dons. Ah, tantas mães, às vezes injustiçadas, abandonadas por aqueles que sequer sabem reconhecer o papel dessas guerreiras na nossa vida. Uma vez mãe, nenhuma delas volta a ser a mesma mulher. E como seria bom que nunca precisassem biscatear amor, atenção, carinho, respeito. Elas são a razão da vida e por elas estaremos sempre seguros, protegidos, amados. E lá seguem as mães. Sem elas, a vida não teria graça. Não haveria a vontade de a gente tocar a vida para frente e um dia lhes agradecer pelo amor de uma vida inteira. Ah, as mães. Biscateio seus amores, seus beijos, suas orações. E me torno alguém melhor a cada dia. Ah, mãe!!!

"O silêncio é a língua de Deus"

"O silêncio é a língua de Deus". Palavras de Dito Mariano, personagem emblemática do livro "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra", de Mia Couto. Paro para pensar. Quantas vezes me ative a tentar ouvir a voz do silêncio! Nas minhas noites solitárias de longos escritos e delícias acadêmicas, estive, talvez sem me dar conta, ali bem perto de Deus, entre o bater das teclas do computador, ouvindo um silêncio aconchegante que me dizia tudo sem sequer balbuciar uma única palavra. Nesse mundo de tantas intempéries, em que já não mais ouvimos uns aos outros, silêncio é ouro, é encontrar-se verdadeiramente com Deus. E no nosso silenciar, temos o poder de dizer as coisas mais profundas, ensinar as lições mais fantásticas, temos a oportunidade de desacelerar o ritmo do mundo que, freneticamente, nos traga e nos carrega de roldão o tempo inteiro. O silêncio, língua de Deus. A maturidade tem me ensinado tal idioma. E tem me ajudado a ser alguém melhor. Em silêncio, em pleno contato com Deus. Ouçamos...

sábado, 30 de abril de 2011

Já estou com saudade de Foz do Iguaçu


Passam já alguns meses que fui ao Parque Nacional do Iguaçu. Fiquei tão mal acostumado com as frequentes visitas que, com o correr do tempo, uma vontade de voltar, de novo, toma conta de mim. As fotografias, claro, consolam minha saudade, porém são o cheiro e a beleza caudalosa daquele lugar que me chamam e me atraem. Tenho tanta vontade de voltar sem qualquer compromisso que não aquele de aproveitar suas maravilhas bem aos poucos e sem disputas com o relógio. Seja do lado brasileiro, seja em Puerto Iguazu, na Argentina. Ali a beleza é democrática e não temos tempo sequer para saber que porção é a mais bela e deslumbrante. Depende do ângulo e do seu patriotismo. Só sei que quero voltar e voltar sempre para ver e rever tudo que ainda está linda e harmoniosamente esperando por mim. São águas tão poderosas que mal esqueço daqueles estrondos em plenas pedras suadas, embebidas em limo, aquelas mesmas águas que os passarinhos dominam e as rompem com os seus voos quase kamikazes. Eu sou um deles, já falei, e lá quero me aninhar. Que garotos sagazes que sabem driblar uma corrente de água que mais parece um vulcão em plena erupção. Como aqueles meninos-passarinhos, eu vou, e quero voar. Estou com saudade da paisagem daquele lugar...

Walking on lava land in Hawai'i

Looking at my pictures taken in Hawai'i some time ago, definitely, I can't help thinking of the nice and thrilling moments spent on those fantastic islands. Among several discoveries and sensations, walk and move around "lava land" was the tops. Here I am in the Volcanoes National Park, near Hilo, the largest city on the Big Island. Created to preserve the natural setting of volcanoes Kilauea and Mauna Loa, the park is also a refuge for the island's native plants and animals and a link to its human past. Hawai'i Volcanoes National Park displays the results of 70 million years of volcanism, migration, and evolution. Unfortunately, we didn't have the chance to see an eruption or the river of hot incandescent lava take its route to the ocean, but here I am walking on the lava produced by volcano Kilauea, still very active and full of mysteries. The smell of sulfur in the air is sometimes asfixiating, but once the guards allow you to enter, you know you're breathing at safe levels. Great sensation! I felt very small by getting so close to the powers of Nature in a way I had never experienced before. Memories to be savored forever!

Pelos céus de Ilhéus

Uma semana em Ilhéus e estou voltando para casa. Apesar do pouco sol que nos agraciou nestes dias de trabalho intenso, não posso deixar de estar sempre em busca da beleza de Ilhéus. Fazia bom tempo que não pairava por essas bandas, sendo que meus parâmetros comparativos já perderam a sua validade e confiabilidade. Do alto, de longe, como sempre, é e será eternamente uma região lindíssima do sul da Bahia. De perto, fico um pouco triste com a sensação de abandono a que a cidade tão decantada pelo grande Jorge Amado parece ter sido relegada. Os moradores de lá reclamam o tempo todo dessa condição precária em que se encontra aquele belo lugar: "O pessoal desce aqui e vai para Itacaré e outras praias", me diz um motorista. Minha sensação comprovada. Levantamos voo de volta a Salvador. Um céu meio nublado, pingos de chuva escorrem na janela do avião. Ilhéus fica lá embaixo, linda, lambida generosamente pelas águas barrentas do Atlântico Sul. Quem sabe, cheia de esperança de um dia ter a sua pujança de volta. Espero que sim. Bye, Ilhéus!

sábado, 19 de março de 2011

Pela força e coragem dos japoneses!

Já passou o momento de ficarmos olhando e lamentando o tamanho do desastre que assomou uma parte do Japão. Certamente, estamos todos em estado de choque diante da força arrasadora da natureza e das consequências da tragédia que não passarão jamais. Mas o que fica disso tudo para um povo fantástico acostumado a conviver com essas intempéries naturais é a lição que ele nos ensina a cada imagem que nos chega via os cabos dos sistemas globais de comunicação. Não bastassem o terremoto e a tsunami, ainda o perigo eminente de um acidente nuclear, lá estão eles, famintos, sedentos, incrédulos, contando seus mortos com uma dignidade com a qual não há como não nos comovermos. A disciplina e paciência com que enfrentam filas enormes para receberem um bolinho de arroz (dois para as mulheres) ou apenas 1o litros de gasolina nos espantam e nos confortam. Que povo sábio e ordeiro! Que lição de humanismo, humanidade, civismo, civilidade, humildade, respeito e tudo mais. Pela força e coragem desse povo maravilhoso, o sol nascente haverá de se re-erguer. Tenho certeza disso! O sol vai nascer de novo com o esplendor de um povo exemplar!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um dia do amor é sempre um dia especial

Em vários países, hoje, 14 de fevereiro, celebra-se o dia de S. Valentino, um relgioso que viveu em Roma por volta dos anos 200. Tornou-se um casamenteiro. Morreu neste dia por ordem de Claudius II. Virou herói e a sociedade de consumo, principalmente a americana, transformou-se toda a simbologia em mercadoria barata. Dia do Amor. Lá, por qualquer um, não apenas parceiros. Está chegando aqui e unindo-se ao 12 de junho, nosso Dia dos Namorados, véspera do dia de Antônio, o santo que se diz grande articulador de casamentos. Valentine's Day. Mando um alô para amigos queridos, meus filhos e, claro, o meu amor. Lembro de uma pessoa especial nascida neste dia. Alguém que um dia beijei. Alguém que fez questão de sumir. Não consigo esquecer ao menos o dia do seu aniversário. Dia do Amor, "simbora, galera", vamos ao amor, pois assim seremos ao menos mais sensíveis uns para com os outros. Um presente bom é uma doce lembrança. Isso me basta. Mesmo se alguém sequer lembrar de mim! Prost!