terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O lixo pode ser algo extraodinário

E por falar em lixo, me deparo com a notícia de que o documentário brasileiro "Lixo Extraordinário", levado ao mundo com o nome de "Waste Land", foi indicado para o Oscar 2011, na categoria "documentário". Dirigido por Karen Harley, João Jardim e Lucy Walker, a película conta a história do trabalho do artística plástico Vik Muniz, paulistano radicado nos EUA, em projeto inédito com badameiros do lixão de Jardim Gramacho, o maior aterro sanitário do mundo, no munícipio de Duque de Caxias, Baixada Fluminese. Vik é ninguém menos que a cabeça criativa por trás da bela abertura da novela Passione, de Sílvio de Abreu, onde todas a imagens são feitas a partir do lixo ou materiais recicláveis, como preferem os artistas. Ainda não vi o documentário, mas pelas críticas que tenho lido, parece que é uma obra de extrema sensibilidade e que toca fundo em uma das nossas muitas feridas sociais, mostrando, contudo, que é possível encontrar-se beleza em situações tão adversas. Juntar arte e lixo pelas mãos e corações daqueles que ali vivem e confundem suas histórias com a daquele lugar aparentemente repulsivo é a grande ideia do artista. O resultado é avassalador. Segundo Rubens Ewald Filho, crítico de cinema, não se trata de mais um daqueles documentários que estreiam às pencas toda semana, mas "um retrato de um grande artista que criou um projeto internacional de grande repercussão e que resultou também num filme forte e comovente", tendo como protagonistas gente comum e pobre, mas com personalidades cativantes. Puxa, vou correr para ver "Lixo Extraodinário". Estou precisando dessas injeções de arte e criatividade para seguir acreditando na vida moderna. Recomendado!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O lixo nosso de todo dia; nós, porcos... nas ruas

Nossas ruas também estão podres. Já não basta o terrível hábito de se fazer xixi em qualquer lugar, nunca se viu tamanha sujeira na zona urbana de Salvador. E, de novo, ninguém ache que a bagaceira está presente apenas nos bairros pobres, onde a coleta é precária e o povo, discriminado em mais esse flanco, pejorativamente tido como mal-educado. Basta uma passeadinha pelos bairros ricos da capital da Bahia e ver-se-á que a sujeira, o lixo e o miserê estão em toda parte, e que a falta de educação ambiental está democraticamente distribuída. É uma triste constatação. O serviço da prefeitura já é um dos piores e se não colaborarmos, se não nos incomodarmos com tamanha atrocidade, como porcos e ratos, nos acostumaremos a chafurdar nas montanhas de lixo e porcaria que competem com as lindas paisagens e belezas naturais de nossa cidade. Visualmente, é um horror. Lembro de Nápoles, na Itália, quando sempre há aquelas greves homéricas das companhias de lixo. O povo afunda-se na sujeira, na lama, no bagaço de vida que só nos faz lembrar aquelas cenas horrorosas dos lixões espalhados por esse mundo. Salvador, Maceió, Rio, Mumbai, Pequim. Sem perceber, talvez, nos tornamos badameiros involutários de toda essa cena triste que insiste em nos cutucar no dia a dia. Se os poderes públicos continuam pecando, ao menos façamos a nossa parte. Nos eduquemos na produção, seleção, armazenamento e entregra do lixo. Todos agradecem. A vida agradece. Ah, minha Salvador... somos os seus porcos, nas suas ruas enlameadas. Que horror!

O lixo nosso de todo dia; nós, porcos... nas praias

Sempre digo que me sinto um privilegiado por morar e viver numa cidade linda e abençoada pela natureza como essa pérola negra chamada Salvador da Bahia. É verdade. Além de grande orgulho para mim e para muita gente que entende o que signfica estar nesse pedaço de chão à beira-mar, não temos motivo algum para não nos sentirmos contemplados com o que de melhor que Deus poderia nos oferecer em termos de recanto e moradia. Nessa terrinha querida, é o mar que nos dá tanto e, inúmeras vezes, nos salva das intempéries de uma rotina dura e congestionada, do stress do trânsito, da selvageria que se aninhou em todas as metrópoles desse país. Poucos têm o mar a seus pés como eu. E sempre que posso, o desfruto com fervor nas minhas caminhadas, cultivando a minha admiração por paisagem tão sublime. É nessas caminhadas por zonas mais próximas dos bairros ricos que vejo como somos "porcos" e mal educados, independentemente de condição socio-econômica. O lixo de nossas praias é algo abjeto e revoltante. Que sujeira fura meus olhos! Que podridão irrompe minhas narinas adentro! Que tristeza ver as nossas praias tão sujas, tão mal cuidadas! Somos mesmo um bando de porcos, daqueles bem ordinários, que sequer nos levantamos para catar o lixo que nós mesmos produzimos. Nesse quesito em Salvador, nota zero para todos nós. Aguardemos as consequências. Elas já estão aí.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Water of coconut of Isaías, Salvador, Bahia

English is spreading all over the world. Nothing new here. Different native speakers from central countries celebrate and, in many ways, feel proud of the fact that wherever they go, people will either know or make an effort to address them in English. But once it travels all around the world, English gets creatively contaminated, and, in several instances, re-invented, appropriated, nativized by local communities without a historical connection with England or the United States, for example. It's a natural phenomenon which is attracting more and more the interest of researchers in different parts of the world. Many non-native Englishes are flourishing. And all sorts of creative uses. In "Brazilian English", I would say, I came across something interesting these days here in Salvador. A street-vendor called Isaías, I presume, selling his coconuts by the beach, announced in English on his banner to call foregin tourists' attention to his product: "Water coconut of Isaías". In Portuguese, the sign read: "Água de coco do Isaías, beba à vontade". Literal translation? Maybe, but why not "Isaías' coconut milk"? Simply because "coconut milk" in Brazil, especially in Bahia, is something else. It's one of the main ingredients for a great fish or shrimp "moqueca", one of our most celebrated dishes. Well, this way, in Brazilian English, we might "go out for a water of coconut", and that's it! Let's celebrate the hybridization of English! Good job, Mr. Isaías! How much is your water of coconut? I'd like two, icy! Good job, my friend Isaías! English is ours too!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A lua cheia vem chegando

Sol de verão na Bahia leva muita gente às praias e tira todo mundo de casa, na busca de refrescar-se e saborear o que de melhor a estação quente nos oferece. Vida caliente, alegria, música, dança, uma cidade mais bela e mais animada. Mas nesta semana, um outro astro também nos encanta. Semana de lua cheia, surgindo bem lá na linha onde o céu encontra-se com o mar. Mar da Bahia, da alegria, do imaginar em ser feliz. Que coisa linda! Quem vem da Pituba e passa o olho pelo coqueiral do Jardim de Alá, assim, bem pouco depois das 6 da tarde, depara-se com um espetáculo inigualável. A lua cheia nascendo, erguendo-se com rara preguiça, como se saindo meticulosamente das entranhas do Atlântico abissal da Roma negra Salvador. A lua mais linda do mundo, a lua cheia amarela, sol da noite Salvador, um convite ao amor, a uma Devassa gelada, a uma corrida a caminho do mar. O trânsito até que colabora, sempre fica um pouco mais calmo nesse período sem aulas, e tudo segue com a fluidez macia e gentil de uma Bahia que não tem a menor pressa de chegar. E ela, a lua, majestosa e loira, vai subindo aos céus, dissipando nuvens, iluminando as águas, sob a benção luxuosa da mãe Iemanjá. Águas que tintilam, dançam, fluem lentamente, desobedecendo as ordens de qualquer maré. Lua cheia no verão da Bahia, janeiro do calor. Coisa mais linda não há. Nessa Bahia de meu Deus, de meus amores, de todos os encantos. Coisa mais linda não há. Não há!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Por onde anda o grande Beto Guedes?

Um dos meus artistas favoritos da nossa música popular chama-se Alberto de Castro Guedes, nascido em Montes Claros, Minas Gerais. Simplesmente, Beto Guedes, instrumentista, compositor, voz arranhada, um bicho meio marginal, um dos nossos melhores, um dos the best ever. Anda sumido, mas quem conhece a fundo muitas de suas canções e foi a tantos dos seus shows desfrutrar de boa música regada a uma timidez crônica e avassaladora, jamais esquecerá esse ilustre ícone da sensibilidade musical da nossa terra Brasilis. Beto é autor e/ou co-autor de inúmeros sucessos na sua voz e na de dezenas de cantores e bandas ao longo de mais de trinta anos de estrada. "O sal da terra", "Amor de índio", "Pedras rolando", "Cruzada", "No céu com diamantes", em homenagem à grande Elis Regina, "Quanto te vi", versão de Till there was you, dos Beatles, "Canção do novo mundo", dedicada a John Lennon, logo após o seu trágico assassinato em 1980, e tantas outras. É um dos símbolos do "Clube da Esquina", aquele movimento musical nascido e criado no bairro classe média de Santa Teresa, em Belo Horizonte, que lançou tanta gente boa para a fama como Milton Nascimento, Flávio Venturini, Lô Borges e por aí vai. Beto envelheceu e pouco se re-inventou, admito. Está fora da mídia e sempre demonstra uma aparência decadente, pouco afeito a conversas e entrevistas. Virou mesmo um bicho-do-mato, arredio, mas vive na nossa memória, encanta com sua poesia eterna e de grande qualidade, deixando nas entrelinhas, que, da forma que escolheu viver, é uma pessoa feliz. Nesse oceano de mediocridade que se tornou o cenário musical brasileiro, sinto uma falta enorme de Beto Guedes. Fará 60 anos agora em 2011. Sua música está aí para quem quiser desfrutar, lavar alma, melhorar-se como ser humano. Um exemplo? "Pedras rolando", logo aí abaixo, na companhia de Tony Garrido, ex-Cidade Negra. Beto, no seu melhor, para sempre. "Sou um cão sem dono a tecer os fios da canção..." Viva Beto Guedes. Viva Beto, ano sessenta! Um dos the best, sempre! Viva Beto Guedes!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Barcelona será sempre um lugar especial

Nunca escondi meu apreço e minha admiração por Barcelona, a capital e maior cidade da Catalunha, região autônoma do nordeste da Espanha. Para começar, ali está o mar Mediterrâneo, no seu doce esplendor, dando-lhe um charme discreto que, em muito, lembra minha Bahia. Em termos de infra-estrutura, é a Salvador dos meus sonhos. Muita arte, cultura, futebol (um dos times mais ricos do mundo que não aceita patrocinadores), alegria, um povo em constante movimento naquele sobe-desce colorido e excitante das Ramblas, por entre as ruelas do Bairro Gótico. Conheci Barcelona em uma terceira lua-de-mel, depois das Olimpíadas de 1992. Sei que a cidade era uma antes e tornou-se outra depois dos jogos. Parece que tivemos sorte de encontrar uma cidade bem melhor. Todos nos diziam isso, quando por lá estivemos. Além disso, a companhia de gente como Gaudí (Sagrada Família, Park Güell, La Predrera, Casa Batllò, e afins), Joan Mirò, Picasso, entre outros, não é, de forma alguma, um detalhe a ser ignorado. Ao contrário, eles e tantos outros gênios da arte/arquitetura nos convidam a sorver com todo cuidado e admiração o acervo fantástico que eles nos legaram. Tenho saudades de Barcelona. De suas "tapas" e aqueles bares "off-the-beaten track" na Barceloneta, do Grande Teatro do Liceu, do festival de "stio" (verão), dos museus, em especial o de História da Catalunha, da música na Plaça de Catalunya, da Plaça de España, das praias no seu entorno, da vista do alto de Monjuic e Tibidabo, as duas montanhas que guardam a cidade e que foram convertidas em miradores. No alto do Montjuic, encontram-se as instalações olímpicas, além do Palácio Sant Jordi. Em Tibidabo, encontram-se a Igreja do Sagrado Coração e um parque de diversões, onde chega-se de carro, ônibus ou de bondindo, o famoso funicular. Come-se bem naquela cidade fulgurante. Vive-se bem também. Uma cidade de e para todas as idades. Volto sempre a Barcelona, renovando memórias e revendo lugares. Que lugar!