domingo, 5 de dezembro de 2010

O Rio sobreviverá sempre

O Rio é e continuará a ser o lugar mais lindo do mundo. A guerra que está ali instalada, infelizmente, é a grande mancha de todas as nossas cidades, inclusive as menores, deixando claro que fracassamos no nosso projeto de nação, se é que ele um dia existiu. A guerra do Rio é de todos nós e afeta a cada um de nós diretamente, mesmo estando a quilômetros de distância de suas fronteiras. O Rio é forte, seu povo é forte e sábio, e sabe muito bem que ele (o Rio) sobreviverá sempre. O Cristo voltará a abrir seus braços e não mais precisará de colete à prova de balas. Essa é a esperança de cada brasileiro que, bem ou mal, como eu, vive mesmo de esperança no tocante às grandes mazelas dessa nossa sociedade falida e desigual. O Rio continuará lindo e mais calmo, cada vez mais cálido. Paz ao Rio, às suas crianças, às suas meninas, à sua gente. O Rio tem que continuar. Livre. Livre. Leve. E solto... por todo lugar. Quem não ama o Rio, não sabe o que é amar...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Se não me queres aqui, fujo pro frio

Quando sinto que o que arde aqui dentro de mim começa a perder fôlego, vejo que está mesmo na hora de recuar. Como um urso ferido, volto para o frio de minh'alma e decido hibernar, esquecer que um dia tive desejos mundanos, que chorei por não poder beijar sua boca, seus grandes e doces lábios de sal. Pensei que este amor era para sempre. Imaginei que o inverno jamais iria chegar. Tive sol, tive mar. Tanto te quis que mal entendi que a vida é tão plena de sujos e devassos segredos. Desejos mundanos, desejos desumanos, sórdidos, quase sempre descabidos. Se não me queres aqui, fujo pro frio. Despenco por entre as paredes de minha caverna sideral e morro no gelo em pleno calor do amor. Não há o que lamentar. Sou apenas aquela fagulha que aquece seu corpo, seus neurônios cansados, que ainda atiça seus seios e roça suas coxas com todo despudor. Sou aquele que pede sua pele, que padece e implora, que desiste de lutar por ti. Não tenho forças para remar. Volto pro frio. Nem deveria ter saído de lá.

Por esse sol da Bahia, o meu sol

Quem estava comigo na hora do pôr do sol nessa Bahia de encantos, jamais esquecerá de mim. Sou um mistério, uma sombra anônima que acaricia a pele de quem me ama e não esquece de me chamar quando o dia se vai e a solidão se aninha no peito. Este é o sol de minha amada, de minha terra em flor, das águas que pastam tranquilas entre dias e dias que passam lenta e vertiginosamente. Por esse sol da Bahia, o meu sol, eu lhe encontrei. O tempo vai passando e já não mais sei por onde vou. Só sei que vou e não conto nenhum dos meus passos. Não lembro o dia em que minhas mãos tocaram o mar de suas mãos. Só sei que foi num dia de sol. Faz tempo e o tempo não parou de passar. Ah, esse mar. Vem sol, vem chuva, vento, redemoinho e esse mar. Lá, num vai e vem que mexe comigo e me faz flutuar. Quem viu esse pôr do sol comigo jamais esquecerá deste mar. Jamais esquecerá de mim. Nesse sol, nesse mar. Aaaahhhh!

Lá pelas águas vou eu

De volta ao paraíso. Adentro o manancial do Iguaçu pelo lado da Argentina. Passamos por cima do leito do rio, quase lambendo suas águas e decifrando suas mensagens. Este rio é algo que só Deus pode explicar. Não há como nos cansar de apreciá-lo. Na sua rebeldia elegante, sinto como se um dia eu o pudesse domesticar. Ando mesmo precisando (des)domesticar alguns sentimentos aqui dentro de mim. Por que será que ando tão controlado? Por que não rompo minhas amarras e me atiro nas corredeiras? O Iguaçu desce ferozmente paredes abaixo e aqui fico eu a admirá-lo, tentando entender que a vida é mesmo muito engraçada. Ela nos testa com tanta fineza que em apenas um dia, um longo e encantado dia, eu queria que o mundo parasse e eu pudesse ser um outro alguém. Eu queria me atirar. Domar o rio e me deixar levar, beber as águas que descem de lá. Bem de lá. De lá. Lá.

sábado, 2 de outubro de 2010

Da janela lateral de Óbidos

Quando em Óbidos, Portugal, achei que seria um cavaleiro medieval. Ruas estreitas, as pedras do pavimento gastas, escorregantes, as lojas marcadas pela leveza de um lugarejo em que o tempo insistia em não passar. Das flores da janela exalava um perfume suave que entrava pela alma deste meu coração emocionado. Lembrei da canção de Milton, Lô Borges e, por fim, Beto Guedes. A melodia que embalou o meu começo de namoro com a mulher que há tempos me faz feliz. Estivemos em Óbidos, ali, pertinho de Lisboa, numa lua de mel disfarçada. Assim, meio assustados, sem acreditarmos que pode-se ainda viver uma vidinha mansa, sem pressa e cheia de esperanças. Tive vontade de ficar. Meu amor apareceu na janela e me chamou. Se Óbidos ficou para detrás da vista, nunca saiu do coração. Nem do frescor do meu amor. Sobe, vem no meu cavalo, e sigamos pelas montanhas, meu amor. O tempo nos espera. Sem pressa. Sem nenhuma pressa.

domingo, 26 de setembro de 2010

Sou aquele passarinho que fura as águas do Iguaçu

As águas do Iguaçu encantam qualquer olhar e tomam de assalto as nossas emoções. Bem lá no corte entre fronteiras de países irmãos, as cataratas fluem nervosas sem deixar de nos acalmar a alma ao pararmos para observar seus movimentos. Deus existe, meu pai! E lá se vão os passarinhos rompendo a tromba d'água em plenos rochedos protegidos pela barreira natural. Eu sou cada um daqueles pequenos voadores. Sigo com o olhar o voo de trivela que os fazem driblar as pancadas da torrente. Entro com eles, driblando as adversidades. Ali repousamos nossa liberdade e sentimos que são apenas esses momentos que podemos guardar na nossa memória e levarmos para a outra dimensão quando partirmos. Ali é o meu lar. Junto com os passarinhos, me encontro com Deus. Toda vez que olho aquele paredão, sinto que não sou nada diante da grandeza da natureza. É, Santos Dumont, uma maravilha dessas não poderia ficar escondida. Nem eu nem os passarinhos. Sou aquele passarinho que fura as águas do Iguaçu. Derramo-me em águas... como passarinho.

Os ipês de BH e minhas saudades

Puxa, andei me encantando com o ipê rosa das Minas Gerais. Ele explode em todo seu esplendor no mês de julho, meados de invernos nos montes desse Brasil sudeste. Rosa ou vermelho ou lilás. Mas não é o ipê impressionante? Debaixo daquele céu azul, eu me sentia mais livre e muito mais próximo das certezas de que a natureza não nos deixa de surpreender nunca. Passeei pela ruas e avenidas de Belorizonte nesse julho ameno e seco, e deliciosamente marcado pela beleza doce dos ipês em flor. Me sinto um menino em flor. Com a alma impregnada de leveza e de alegria. O rosa dos ipês renova as minhas saudades das Geraes. E das Geraes sinto sempre aquela vontade de regresso. Regresso para a alma livre, alegre e feliz.