"Olhos do Mundo" é uma das canções do novo trabalho do maravilhoso Milton Nascimento, umas das mais poderosas vozes de nossa música popular. Milton, apesar de altos e baixos ao longo de sua carreira, traz sempre algo inovador. É por isso que quando lhe perguntam em que estilo musical ele se encaixa, a resposta é taxativa: Milton! "Olhos do mundo", do álbum ...E a gente sonhando (EMI, 2010), composição de dois garotos de Três Pontas (MG), cidade onde Milton foi criado, fala do pequeno tamanho desse mundão, especialmente em tempos de globalização: "Já não há quem possa ficar assim tão só, o mundo é pequeno e sempre dá um nó". Os autores da canção e que também assumem o vocal com o Bituca, são Marco Elízeo e Heitor Branquinho. Vale a pena ouvir. Peço licença ao Miltão para postar a música: "No norte ou no sul, interior ou capital, há quem pareça, mas não há nada igual". Um convite a celebrarmos a nossa deliciosa diversidade, as nossas sutis diferenças, nem sempre bem compreendidas. Mia Couto, grande escritor moçambicano, já escrevia: "A única maneira de sermos puros é sermos híbridos. A verdade é que só seremos um se formos muitos". Quanta sabedoria! Milton e seus convidados, de alguma forma, estão dizendo isso. Ouçam, aproveitem, deleitem-se e, em algum lugar deste mundo, lembrem-se de mim. Eu, certamente, farei o mesmo. "Quem é capaz de fechar os olhos do mundo?" Salut!
domingo, 19 de dezembro de 2010
Meus amigos do vento oeste
domingo, 5 de dezembro de 2010
Cair é o caminho para levantar
Aconteceu e o nosso rubro-negro sofredor caiu de novo para a maldita segundona. E o pior de tudo isso é que o grande rival, o Bahia, subiu, e um bando de gente começa a dançar de felicidade por conta do fracasso do Leão. Ah, faz parte da sacanagem sadia do futebol. Chega dessa onda politicamente correta. Como bem disse Chico Buarque, a graça do futebol é a humilhação do adversário. Estamos humilhados, mas não estamos mortos. Cair é bom para aguçar o nosso sentimento de reação. A queda por incompetência é um preço amargo a se pagar, mas válido. Ficam as lições. Ano que vem não tem BA-VI na primeirona. Continuaremos separados, desunidos, segregados. E é isso mesmo. Mistura em futebol dissolve a boa e salutar essência de competir. Estamos no chão. Teremos que ser fortes. Caímos, mas estamos vivos. "Vamo lá, Nêêêgooo". Ano que vem tem mais. Mas se não melhorar, melhor ficar onde está. "Na chon". Até tomar vergonha na cara. "Vamo" lá!!!O Rio sobreviverá sempre
O Rio é e continuará a ser o lugar mais lindo do mundo. A guerra que está ali instalada, infelizmente, é a grande mancha de todas as nossas cidades, inclusive as menores, deixando claro que fracassamos no nosso projeto de nação, se é que ele um dia existiu. A guerra do Rio é de todos nós e afeta a cada um de nós diretamente, mesmo estando a quilômetros de distância de suas fronteiras. O Rio é forte, seu povo é forte e sábio, e sabe muito bem que ele (o Rio) sobreviverá sempre. O Cristo voltará a abrir seus braços e não mais precisará de colete à prova de balas. Essa é a esperança de cada brasileiro que, bem ou mal, como eu, vive mesmo de esperança no tocante às grandes mazelas dessa nossa sociedade falida e desigual. O Rio continuará lindo e mais calmo, cada vez mais cálido. Paz ao Rio, às suas crianças, às suas meninas, à sua gente. O Rio tem que continuar. Livre. Livre. Leve. E solto... por todo lugar. Quem não ama o Rio, não sabe o que é amar...segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Se não me queres aqui, fujo pro frio
Quando sinto que o que arde aqui dentro de mim começa a perder fôlego, vejo que está mesmo na hora de recuar. Como um urso ferido, volto para o frio de minh'alma e decido hibernar, esquecer que um dia tive desejos mundanos, que chorei por não poder beijar sua boca, seus grandes e doces lábios de sal. Pensei que este amor era para sempre. Imaginei que o inverno jamais iria chegar. Tive sol, tive mar. Tanto te quis que mal entendi que a vida é tão plena de sujos e devassos segredos. Desejos mundanos, desejos desumanos, sórdidos, quase sempre descabidos. Se não me queres aqui, fujo pro frio. Despenco por entre as paredes de minha caverna sideral e morro no gelo em pleno calor do amor. Não há o que lamentar. Sou apenas aquela fagulha que aquece seu corpo, seus neurônios cansados, que ainda atiça seus seios e roça suas coxas com todo despudor. Sou aquele que pede sua pele, que padece e implora, que desiste de lutar por ti. Não tenho forças para remar. Volto pro frio. Nem deveria ter saído de lá.Por esse sol da Bahia, o meu sol
Quem estava comigo na hora do pôr do sol nessa Bahia de encantos, jamais esquecerá de mim. Sou um mistério, uma sombra anônima que acaricia a pele de quem me ama e não esquece de me chamar quando o dia se vai e a solidão se aninha no peito. Este é o sol de minha amada, de minha terra em flor, das águas que pastam tranquilas entre dias e dias que passam lenta e vertiginosamente. Por esse sol da Bahia, o meu sol, eu lhe encontrei. O tempo vai passando e já não mais sei por onde vou. Só sei que vou e não conto nenhum dos meus passos. Não lembro o dia em que minhas mãos tocaram o mar de suas mãos. Só sei que foi num dia de sol. Faz tempo e o tempo não parou de passar. Ah, esse mar. Vem sol, vem chuva, vento, redemoinho e esse mar. Lá, num vai e vem que mexe comigo e me faz flutuar. Quem viu esse pôr do sol comigo jamais esquecerá deste mar. Jamais esquecerá de mim. Nesse sol, nesse mar. Aaaahhhh! Lá pelas águas vou eu
De volta ao paraíso. Adentro o manancial do Iguaçu pelo lado da Argentina. Passamos por cima do leito do rio, quase lambendo suas águas e decifrando suas mensagens. Este rio é algo que só Deus pode explicar. Não há como nos cansar de apreciá-lo. Na sua rebeldia elegante, sinto como se um dia eu o pudesse domesticar. Ando mesmo precisando (des)domesticar alguns sentimentos aqui dentro de mim. Por que será que ando tão controlado? Por que não rompo minhas amarras e me atiro nas corredeiras? O Iguaçu desce ferozmente paredes abaixo e aqui fico eu a admirá-lo, tentando entender que a vida é mesmo muito engraçada. Ela nos testa com tanta fineza que em apenas um dia, um longo e encantado dia, eu queria que o mundo parasse e eu pudesse ser um outro alguém. Eu queria me atirar. Domar o rio e me deixar levar, beber as águas que descem de lá. Bem de lá. De lá. Lá.
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